Na
matemática o conceito de prova é muito rigoroso e poderoso, pois a demonstração
está no coração da matemática, isto é o que a distingue das outras ciências. A diferença
entre a prova matemática e a prova cientifica e ao mesmo tempo sutil e
profunda.
A
demonstração matemática começa com uma série de axiomas, declarações que
julgamos serem verdadeiras ou que são verdades evidentes. Então, através de
argumentação lógica, passo a passo, é possível chegar a uma conclusão. Se os
axiomas estiverem corretos e a lógica for impecável, então a conclusão será
inegável. Esta conclusão é o que chamamos de teorema. Os teoremas matemáticos
dependem deste processo lógico, e uma vez demonstrados eles serão considerados
verdade até o final dos tempos.
A
prova cientifica depende da observação e da percepção, ambas suscetíveis a
erros, por isso uma teoria cientifica nunca pode ser provada do mesmo modo absoluto
que um teorema matemático. Esta fraqueza na prova cientifica é o que
proporciona as revoluções cientificas quando teoria que era considerado verdade
é substituída por outra.
Concluímos
que a prova cientifica é considerada verdadeira se existem evidencias, que
geralmente são retiradas de experiências práticas sujeitas a falhas, mas suficiente
para apoia-las. Já a prova matemática não depende de evidencias pois são construídas
a partir de logicas infalíveis.
Veja
agora um exemplo do uso da prova matemática e da prova cientifica em um mesmo
caso.
O problema do tabuleiro de Xadrez
mutilado
Temos
um tabuleiro de xadrez onde os lados opostos foram retirados de modo que restam
apenas 62 quadrados. Agora pegamos 31 dominós feitos de modo que cada dominó
cobre exatamente 2 quadrados. A pergunta é: será possível dispor os 31 dominós
de modo que eles cubram todos os 62 quadrados do tabuleiro?
Agora
vamos responder com uma abordagem cientifica e com uma abordagem matemática para
que possamos observar a diferença entre as duas.
Abordagem cientifica:
O
cientista tentará resolver o problema através da experimentação e depois de
tentar muitos arranjos vai descobrir que todos fracassam. Por fim, o cientista
chegará à conclusão de que existem evidências suficientes de que o tabuleiro
não pode ser coberto.
Contudo,
o cientista jamais terá certeza de que isto é verdade, porque pode existir
algum arranjo ainda não testado que resolverá o problema. Existem milhões de
arranjos diferentes e só é possível explorar uma pequena fração deles.
A
conclusão de que a tarefa é impossível é uma teoria baseada na experimentação,
mas o cientista terá que viver com a hipótese de que um dia sua teoria poderá
ser derrubada.
Abordagem matemática:
Os
cantos extremos, retirados do tabuleiro de xadrez, eram quadrados brancos.
Portanto agora existem 32 quadrados pretos e somente 30 quadrados brancos.
Cada
dominó cobre dois quadrados vizinhos, e os quadrados vizinhos são sempre de
cores diferentes, ou seja, um branco e um preto.
Portanto,
não importa como coloquemos os dominós sobre o tabuleiro, os primeiros 30
dominós deverão cobrir 30 quadrados pretos e 30 quadrados brancos.
Em
consequência disso, ficaremos sempre com um dominó e dois quadrados pretos
restantes.
Mas
lembrem-se, todos os dominós cobrem dois quadrados vizinhos, e quadrados
vizinhos são de cores opostas. Se os quadrados remanescentes são da mesma cor,
eles não podem ser cobertos pelo dominó que restou.
Portanto,
é impossível cobrir o tabuleiro com os dominós!
Ou
seja, o matemático resolve o problema desenvolvendo os argumentos lógicos disponíveis
e produziu uma conclusão que será incontestavelmente correta e permanecerá
assim para sempre.
FONTE: SINGH, S., O Último Teorema de Fermat. Editora
Record, 1998.


Ótimo post! Parabéns!
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