O
matemático francês Blaise Pascal é conhecido também como filósofo pelo seu
livro Pensamentos. Nesse livro, ele formula um argumento que combina matemática
e teologia. O filósofo parte do princípio que não se pode provar a existência
ou a inexistência de Deus, o que obriga o ser humano a fazer uma escolha:
acreditar ou não acreditar em Deus. Esta escolha não precisa ser uma aposta no
escuro, ela pode ser lógica. O argumento de Pascal estabelece que é melhor
apostar na existência de Deus.
O
matemático comprova a sua tese pelo seguinte raciocínio:
1-
se você acredita em Deus e Ele existe, quando você morrer seu ganho é
infinito, a saber, a vida eterna no paraíso;
2-
já se você acredita em Deus e Ele não existe, quando você morrer sua
perda é finita, a saber, o tempo de vida que perdeu acreditando numa quimera;
3-
se você não acredita em Deus e Ele
de fato não existe, quando você
morrer seu ganho é finito, a saber, o tempo de vida que não perdeu acreditando
numa quimera;
4-
mas, se você não acredita em Deus e
Ele existe, então quando você morrer
sua perda é infinita, a saber, nada menos do que a danação eterna no inferno.
A
oposição entre o melhor e o pior resultado da aposta – ganho infinito versus
perda infinita – não deixa alternativa senão apostar que Deus existe. Deste
modo, mesmo quem não consegue acreditar deve agir como se acreditasse, por via
das dúvidas.
A
aposta de Pascal é um argumento do século XVII. Podemos dizer que se trata de
um argumento forte por ser discutido até hoje, por ter sido pioneiro no campo
da teoria das probabilidades, por marcar o primeiro uso formal da teoria da
decisão e por fundar na prática o pragmatismo moderno.


